Filho de Júlia Pinheiro conta como revelou aos pais que era gay

Rui Maria Pêgo é conhecido por, além de ser filho de Júlia Pinheiro, e de Rui Pêgo, uma das vozes mais carismáticas da rádio portuguesa, por não ter papas na língua. Mas nem sempre foi assim: durante muitos anos viveu um segredo e, confessa agora, que só contou aos progenitores que “gostava de rapazes” quando tinha 19 anos,

Um momento que, diz, foi vivido intensamente, com medo de ser rejeitado. Rui assegura que vivia desde os 12 com este segredo e que  fazia tudo para “controlar os gestos, os gostos, a voz, na esperança de ser aceite”.

O radialista aproveitou o Dia Nacional do Coming Out que se vive esta quarta-feira, dia 11, nos Estados Unidos, para recordar este momento complicado, mas que foi rapidamente ultrapassado em família: “Tenho a sorte de viver rodeado de pessoas que me amam. E de ter nascido de pais que são inteligentes, sensíveis e com a noção do que é gostar”.

Leia a mensagem na íntegra, publicada pelo animador das manhãs da Mega Hits, que pertence ao Grupo Rádio Renascença, nas redes sociais:

“Olá. Hoje é o Dia Nacional do Coming Out nos Estados Unidos da América . Parece-me um momento interessante para balanços por mais que a Operação Marquês engorde o feed das nossas vidas. Sempre tive um problema com a expressão “coming out” ou “sair do armário”. O “assumir” também não me cai bem. Acho o “confessar” horrível.

Toda esta terminologia pressupõe um segredo; uma vergonha; um pecado escuro e sombrio que deve ser posto de lado a todo o custo. Foi assim que cresci até aos 19 anos quando acabei por contar aos meus pais, lavado em lágrimas, cheio de medo de rejeição e com uma sensação de perigo iminente, que “gostava de rapazes”. Antes disso contei a alguns amigos. E, mais tarde, às pessoas com quem trabalhava. Há muita solidão neste processo.

Não é simples e deixa nódoas na alma durante anos. No meu caso, tenho a sorte de viver rodeado de pessoas que me amam. E de ter nascido de pais que são inteligentes, sensíveis e com a noção do que é gostar. Dito isto: eu não sou especial. Sou um homem igual a tantos outros que tem um megafone nas mãos (no entanto, concedo que tenho eyelashes for days). Não fazer alguma coisa quase nos 30 era voltar a contribuir para a tristeza do Rui Maria dos 12 que controlava os gestos, os gostos, a voz, na esperança de ser aceite.

Aquilo que aconteceu há um ano está explicado neste vídeo. A minha motivação foi mostrar que não, não é aceitável que alguém seja diminuído por gostar de alguém do mesmo sexo. Ou por ter uma pele que não é branca. Ou até – e friso – gostar de @nickelback .

Recebo todas as semanas mensagens cheias de dor de rapazes, raparigas e tudo o que há pelo meio. Todos se tentam descobrir numa sociedade que é nos diplomas aberta, mas na rua violenta. Ainda hoje ouvi gritar de um táxi palavras que só costumo ouvir no cinema português. Gay ainda é usado como um insulto. É por isso que sei – e não é por ter ganho este prémio da @ilgaportugal em 2016, mas obrigado por isso -, que fiz bem. Há ainda muito medo e, sobretudo, muito ódio.

Cabe-nos ajudar a matar a vergonha. Feliz”.
Fonte: flash.pt

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